novembro 11, 2004

Ouvindo Sade - By Your Side

E ao sair disto, que Ser Humano serei?

E ao sair disto, que Ser Humano serei?

Encruzilhada, "crossroads".
Muro, rua sem saída.
Escada rolante massacrante que leva direto ao precipício.

Sem saída, mergulho em "skydive" final,
Bato chapado em muro que me envolve por todos os lados -
labirinto da vida humana.
A saída é o abismo que dá no muro que dá no abismo, quem diria...

Fica a pergunta:
E ao sair disto, que Ser Humano serei?
Aqui, agora, sou eu e Eu,
só o que de dentro de mim trouxe é o que tenho
é com o que posso contar.
Do material, do que adquiri no externo irreal,
só restaram dores e mágoas
que em lento "fade out do coração",
se apagam por não terem mais razão de existir.

A cada segundo,
a cada palavra,
a cada momento,
para onde viro meus olhos,
para onde dirijo meus pensamentos,
envolve-me imenso "air-bag"
que não me protege, mas sufoca,
comprime e espreme meu ser -
prensa de sentimentos humanos -
extratora do Óleo Humano

E quanto mais solidão sinto,
mais sinto que não estou só.
De dentro de mim, feliz e doloridamente,
sinto brotarem as vozes que lá sempre estiveram.
Amigos que comigo compartilham a responsabilidade
deste salto cego ao Precipício Humano.

Pergunto: Pai, o que virá?
E ao sair disto, que Ser Humano serei?

De coração lhe peço: dai-me forças, habilidade e perseverança
preciso me construir um Ser Humano melhor. Superar,
as dores e as dúvidas,
as escolhas e as esperas,
as conquistas e as perdas,
as mentiras e as verdades,
as esperanças e as frustrações,
os poucos acertos e os muitos erros.
os sorrisos e as lágrimas que coexistem em mim neste momento.

Existe sair?
Ou é só continuação?
Existe superação?
Perguntas, quando mais de respostas preciso e procuro...
O abismo é o muro que é o abismo,
As respostas são perguntas que são respostas.


novembro 07, 2004

Ouvindo Craig Chaquico - Midnight Noon

Não gostei desse mais recente CD do Chaquico, ainda prefiro estilo Navajo Stars

Schico no Tempo
De repente, exatamente como algo sujeito à dimensão temporal, como um estalo de cálice desavisadamente quebrado, percebo que o Tempo se esvai, se esgota, flui.

Assim mesmo, como o sinto agora, ao sentar-me em frente ao micro e olhar para esse rosto refletido na tela do monitor, com mãos prontas para disparar letras agoniadas que não mais se contentam em ficar retidas em minha alma. Letras precisam de palavras, pensamentos precisam de letras, palavras, espaço e Tempo!

Uma dor maior que a de meu joelho já devidamente punsionado aperta meu coração e sinto que luto contra o Tempo - já não o tenho mais a meu favor.

Urgentemente, preciso reverter essa situação incômoda e antinatural e fazê-lo fluir aliado. Impossível viver feliz, aqui nessa Terra do Tempo, lutando contra o "senhor da dimensão temporal" que a todos nos rege. A ciência da vida feliz prescreve a sabedoria de ser junto com o Tempo, fazendo fluir nossa vida através do Tempo, harmonicamente, usando o dom maravilhoso da vida humana.

Mas meu tempo se esvai, acumulam-se ao seu largo os martírios que maltratam meu ser, um após outro e mais outro, tanto que reverter essa situação parece um MILAGRE, só que possível como todos os MILAGRES.

Já que parece ser, por enquanto pelo menos, científicamente impossível reverter o fluxo do Tempo, tenho de reverter a mim, ao meu fluxo de vida e juntar-me a ele, como uma nave espacial dos Jetsons que se alinha e entra no fluxo de trânsito de uma "highway" nem tão futurista. Uma nova maneira de encarar o Tempo que aqui egoísticamente chamamos de "nossa vida".

"Enxergar" o Tempo com olhos de quem o vê de fora, mesmo estando fluindo conjuntamente com ele.

Um barco flutuando em um rio de águas calmas, claras, nervosas, escuras, caudalosas, lentas e rápidas seria uma analogia. Uma casca de noz flutuando num vórtice espacial também.

O lance do Tempo é que ao o olharmos de fora não devemos "fotografá-lo" como se o barco ou a noz estivessem num único quadro, mas todos os quadros estivessem em um único. Qualquer foto do Tempo, se possível fosse, não traria em si o Tempo como o entendemos aqui, passado, presente e futuro: mostraria todos os tempos em um só presente que é tão Tempo como o passado e o futuro. Para quem nele está imerso o agora é o mais importante de todos os tempos, tanto que sempre é agora na eternidade - a dimensão fora do Tempo. Sempre é agora.

Tempo não se guarda, Tempo se vive. Estranha dualidade para a "commoditie" mais valiosa de todos os tempos.

Nota do Schico 2004/11/08: Funciona tudo sempre certinho, como uma só coisa, som, imagem e texto, mas eu não achava no que o som se encaixava nesse texto e imagem até me dar conta da dualidade, estranha dualidade, Midnight (meia-noite) Noon (meio-dia), e o que ocorre no tempo entre uma e outra.

outubro 20, 2004

Ouvindo Sade By Your Side

E os ciclos se completam...

Nós três, na foto que mais gosto.
Amanhã, 21 de outubro de 2004, o Ser Humano completa três anos - FELIZ ANO NOVO!!! - e completamos, juntos, mais um ciclo de vida.

Por definição, ciclos não marcam encerramentos a não ser os de si próprios, pois por um milagre da vida trazem dentro de si as sementes de um novo ciclo que se inicia.

Talvez mais marcante do que o encerramento de um e o início de outro seja a mágica da vida presente no perpetuar dos ciclos, como ondas que chegam à areia da praia sempre trazendo mais outras consigo; como o Sol e a Lua com seus ciclos nos envolvendo dia e noite após dia e noite.

Além de para os outros, blogs são feitos primeiramente para nós mesmos - são um instrumento pelo qual podemos nos situar no Tempo, marcar nossa presença nessa Humanidade, uma espécie de livro virtual que nossos antepassados não tiveram e que nossos descendentes possivelmente terão em formas talvez mais apropriadas.

Por problemas técnicos recentes os arquivos iniciais do Ser Humano não estão acessíveis a quem o lê pelo endereço http://schico.blogspot.com. Para ler o primeiro post publicado em 21.10.2001 é necessário acessar pelo endereço http://planeta.terra.com.br/arte/serhumano e lá ir aos Arquivos Anteriores, clicando no Outubro 2001, que deixo linkado aqui, mas pode ser que abra ou não. É sobre este post que escrevo agora, é sobre este ciclo que se encerra e outro que se inicia, este momento tão único na minha, em nossas vidas, que escrevo agora.


Comparando aquele momento do ciclo com o atual, sinto assim:

- Ainda ouço Sade e Craig Chaquico, muito mais do que antes.

- Uma saudade de Campinas e da Pedra muito forte dentro do coração. Campinas se foi, talvez para sempre, a Pedra fica.

- Das coisas materiais e do estilo de vida tão cheio de supérfluos - que hoje parece um sonho - até fica uma saudade compreendida e assimilada como tal, mas o mais importante é a Pedra que vive eternamente dentro de mim.

- Naquele momento do ciclo havia um amor maravilhoso programado para acontecer e eu nem imaginava! O maior amor de minha vida, sincero e total. Nunca amei tanto - de minha parte garanto isso -, nem fui tão amado - da parte dela espero que não fique tão convencida. O maior amor de minha vida até agora, pois para ambos desejo de coração que tenhamos maiores e mais felizes ainda. Valeu qualquer sacrifício. Aconselho a todos um grande amor desses!

- Momento Positivo: Por causa dela aprendi a colocar em prática essa vontade tão forte de escrever. Quem sabe um dia eu aprenda isso.

- Candeias veio, com toda a família unida. Ajo por intuição e por uma força muito forte que me impulsiona. Alguns podem até não entender assim, mas tudo o que fiz foi para reunir a família, tão pequena, que somos.

- Momento A Senóide Apontava para Baixo: Tentei um passo decisivo e não obtive o sucesso esperado, muito pelo contrário. Podem me criticar - nem imaginam o quanto eu mesmo me faço isso - mas pior seria se não tivesse tentado. Fiz, e assumo a responsabilidade pelo ato.

- Mais uma vez em minha vida bateu na trave! Ou um pouco mais do que isso: aos 48 minutos do segundo tempo bateu na trave e entrou, mas o juiz não deu o gol, o time contrário marcou no contra ataque - em impedimento - e o jogo acabou. Ruiu tudo, mas um tudo total, completo e absoluto. Tô reduzido a pó.

- Muita coisa boa aconteceu também, momentos tão felizes que se tornam absolutamente inesquecíveis. De tudo, o mais importante é que meus filhos conseguiram dar o passo fundamental para direcionar suas vidas. Parabéns pra eles!

- Da mesma maneira que nem suspeitava desse grande amor o que será mais que poderá vir e nem imagino? "Tudo é possível para o coração que deseja com Vontade".

- Obrigado Senhor por tudo de bom que pudemos viver nesse ciclo e pelo que teremos no novo ciclo que se inicia agora.

- Por que será que é assim? O que o Destino reserva nesse novo ciclo? Só mais um pouquinho e saberemos...

Tá na moda congelar Seres Humanos. Por motivos de força maior talvez este Ser Humano seja congelado por uns tempos, mas é coisa do ciclo. Pode ser que volte.

outubro 17, 2004

Ouvindo Eliane Elias

E os domingos vêm...

... uns após os outros numa sequência em que os dias internos são engolidos pela boca do Tempo: de repente já é o próximo domingo.

Domingo, o quereriam sem possibilidades, limitado, cerceado... mas não o quero calado. Abro esta página tão branca quanto virtual e começo a martelar teclas que me podem libertar das mesmices impostas pelos resultados da ousadia de ter tentado o "impossível", cujas raízes o Nada aí de baixo começou a abocanhar antes mesmo de se atreverem a nascer.

"Impossível" não por definição, mas por condição, por estar assumindo sozinho a responsabilidade quando tantos o conseguem tão normal e facilmente que soa parecer absolutamente "possível", justamente por terem com quem dividi-la e dividi-lo. Mas não responsabilizo ninguém por isso, a escolha que naturalmente me sobrou foi esta - é assim.

Estranha contradição, egoísticamente o tento só, mas não espero alcançá-lo para e por mim. Pareço ser eu a ponte para que se faça possível o caminho.

Já, por tentá-lo torna-se parcialmente "possível" - assim como o criei em minha mente, já existe, é. Não sei delimitar as margens de seu sucesso, o quanto ultrapassei suas fronteiras, só uma sombra de mim chega lá? De qualquer maneira a sombra (que de negativo nada tem, é só uma parte da Luz) é parte de mim também. Portanto só ao imaginar já o conquistei.

Conquistei em cada segundo, cada gota de pensamento, cada imagem, cada sentimento, cada momento desta luta que é a realização última do explorador, do aventureiro eu.

Não posso agora parar.

E, do nada, como de costume, aparece este post escrito em 22.01.2002, quando o Nada que sempre me acompanhou nesta vida já mostrava claramente sua presença. O Nada, é Tudo. Duvida?

E a vozinha que vem do coração então me disse:

"Deixa estar Schico, let it be, pelo menos vc tem a consciência tranquila. Mas não se cobre demais, não lhe foram dadas condições de arcar com mais do que vc pode. Deixa estar, que naturalmente as coisas entrarão nos seus devidos lugares. Abra espaço para que a mão de Deus possa agir, não interfira, Ela vem! Ela não lhe faltará!".

Durante o dia vou procurar uma imagem para colocar aqui. Uma hora aparece.

outubro 15, 2004

Ouvindo Piano - agora Chopin

E Jaboatão dos Guararapes apareceu na mídia novamente...

... e não foi por causa de tubarão!!! Também por algum motivo bom é que não foi, infelizmente.

Pra quem não conhece, Jaboatão dos Guararapes é uma cidade com duas partes distintas: Jaboatão Centro fica a uns 30 km da orla marítima e é a origem de tudo - tem que pegar estrada para ir pra lá; Piedade, Candeias e Prazeres ficam na orla, sendo que Piedade e Candeias são a orla propriamente dita - classe média, média-alta e alta - e Prazeres fica mais para dentro um pouco, na BR - bem peba (pobrezinha para quem não sabe o que é isso). Piedade e Candeias são continuação para o Sul da Praia de Boa Viagem em Recife, só que num determinado ponto vira outro município. Aqui neste post dá para ver a divisa na orla.

Esta noite, mais uma tragédia não anunciada chacoalhou a comunidade daqui: o desabamento do Ed. Areia Branca. Fica difícil acreditar no que aconteceu, não houve nenhuma descarada falta de providência de nenhum órgão governamental como origem, pelo menos a princípio, nem nada de muito errado. Simplesmente aconteceu. Há dez dias atrás ninguém imaginaria isso. Não havia sinal aparente algum.

A primeira sensação que fica é a de que existem certas coisas que fazem parte de sua vida e que você nunca nota que existiam, até desaparecerem numa tragédia não anunciada. Durante anos passei diariamente em frente ao Ed. Areia Branca, era caminho obrigatório para sair de Candeias, mas eu nunca havia visto o Areia Branca. Ficou no subconsciente, pra vir à tona teve de desabar.

Sou Engenheiro Civil e desabamentos mexem comigo. Na raiz. Não aceito isso, luto contra essa idéia de todas as maneiras, é contrário ao meu ser. Eu construo, não destruo. Mas desabou.

Era um edifício de classe média alta, com 26 anos de habite-se, então a fundação deve ter entre 27 e 28 anos de execução. Apartamentos bons, daqueles de quatro dormitórios, pé direito alto, construção feita com coeficientes de segurança mais altos, coisa daquela época. Não se pode em absoluto pensar em falha construtiva pois um edifício que fica de pé por 26 anos não pode ser mal feito. Algo muito diferente aconteceu alí.

O mais diferente foi terem morrido algumas pessoas. A classe alta ganhou dinheiro com a construção; a média alta ganhou conforto por 26 anos e agora um belo prejuízo financeiro - mas isso se recupera; a classe baixa perdeu a vida - isso não se recupera. Até o momento em que escrevo aqui só foi achado o corpo do porteiro do edifício, e parece que mais três pessoas que lá estavam não conseguiram fugir à tempo e não foram ainda encontradas. Um dos que conseguiu correr está tentando uma UTI pois na fuga foi atropelado - a avenida é movimentada e fica na orla - e por motivo de abandono do sistema de saúde até agora não conseguiu vaga em UTI - escapa do desabamento e corre o risco de morrer por falta de atendimento. O pior sobra para os pobres. Não estou simplesmente criticando, nem assimilei os fatos ainda, só estou constatando.

Dudu, meu filho, tem um amigo que morava neste prédio e junto com mais alguns amigos estavam passando o feriadão em Porto de Galinhas - eles alugaram uma casa e estavam se divertindo antes de começar o semestre na UFPE. O garoto recebeu um telefonema dos pais no domingo contando o que estava acontecendo, e na terça-feira quando voltaram ele já voltou para a casa de parentes, na quinta à noite o prédio desabou.

Dá para acreditar num negócio desses? Pode acontecer com qualquer um. Poderia ter sido pior se os próprios moradores não fossem de classe mais alta e não tivessem para onde ir. Todos, precavidos, se mandaram por conta própria - não houve a tão alegada evacuação pela Defesa Civil, saíram por decisão própria. O pai do amigo de Dudu queria ficar dormindo no apartamento para guardar as coisas mas a mulher dele não deixou. Tá vendo como mulheres são importantes e homens são mais bestas?

Não se sabe o que aconteceu, mas não foi uma coisa gradativa, anunciada. Foi de repente, levou no máximo 10 dias para ser notada e se concretizar. Preliminarmente acredito em algum problema relativo a alteração das condições de subsolo, localizadas, puntuais, por agentes externos e infelizmente concentradas em pontos críticos da estrutura do prédio, na fundação dos pilares centrais de sustentação. Se foi isso, tem de analisar a fundação de todos os prédios de Piedade e Candeias.

Uma tragédia. Justifica-se a perda destas vidas humanas? Será mesmo que não havia indício algum deste final? Será que as pessoas que analisaram a estrutura tinham conhecimento técnico suficiente para essa análise? Será que pára por aí? Só perguntas...

Não fui lá ver. Não gosto disso, mas dói aqui dentro por vários motivos.

outubro 12, 2004

Ouvindo Chopin e Chaquico

De quando o nada começou a se manifestar...

De quando o nada começou a se manifestar
...muito havia e não se dava conta,
mas aos poucos, igual a monstrinho de video game,
vai o nada abocanhando o que lhe compete,
engolindo e transformando o que não se sabe ter e o transformando
de tudo em nada.

Mas o que é o nada?
Discutiam os cientistas outro dia num artigo,
dizendo ser impossível construir aqui o nada,
a ausência de tudo.
Sempre há alguma coisa dentro do nada.
Discordo parcialmente, o que em si já é concordar,
pois se parcialmente não é nada alguma coisa deve ser.
A não coisa é uma forma de coisa,
portanto nada é que não seja, ou é?

Estou perigosamente próximo de alcançar o nada.

Em outros tempos, de faculdade, quando nada imaginava do que seria hoje,
quando não sabia que o nada se sentia,
até para quem não quisesse ouvir dizia que o ideal seria
morrer quando nada tivesse,
ou seja, deixar o que pudesse
para quem de direito aprouvesse
e da minha parte, morrer após gastar o último centavo.
Já que nada levaria, de que adiantaria aqui deixar?
Aproveitamento máximo possível.

A vida dá voltas e o nada começa a engolir a matéria...
Estou perigosamente próximo de alcançar o nada
e isso me faz tremer.

Do pouco que tenho e do muito que devo,
um menos o outro,
estou quase chegando ao nada.
Vixe...

outubro 04, 2004

Ouvindo...

cores que desbravam o cinzento desconhecido...

Cores desbravam o cinzento desconhecido
...o cinzento e enevoado desconhecido.
Meus caminhos de agora.

Qual Sol que desponta do horizonte
aos poucos vão desbravando o éter cinzento.
As cores fazem música:
são ondas do mar chegando à areia da praia,
chiam numa escala desconhecida aos que nelas nunca navegaram.

Espatifando-se contra rochedos seculares,
espocam rugidos entranhados nos tempos.
Envolvendo náufragos esperançosos,
salgam suas bocas sedentas:
alimentam sua Fé.

Mar, Cores e Ventos,
propagam-se em Ondas que chiam, espocam ou rugem,
chegam, espatifam-se ou envolvem,
náufrago, náufrago ou náufrago.

Minha Alma sedenta,
salgada nas dores cinzentas,
rema, calma, decidida e compenetrada.
Pilota sua casca de noz pelo espaço cósmico
em direção às cores que desbravam o cinzento e enevoado desconhecido.

Esta é a minha oportunidade
- crua, dolorida, fel puro -,
de navegar cinzas e torná-los cores,
às custas de minha próprias dores.

Esse é um texto de François Porpetta. Mais informações sobre a casca de noz podem ser encontradas nestes posts aqui.

setembro 30, 2004

Ouvindo Sade

Uma imagem esperando por um texto...

Uma tarde, um pôr de Sol na Pedra, há tanto tempo...
Acordei bem cedo hoje, a luz do Sol já enchia o céu, mas ele mesmo ainda não havia despontado no horizonte.

O mar estava cheio de navios, vários deles, uns indo, outros vindo o que não é normal. Eles estavam até se cruzando! Os que iam de Sul para Norte percorriam uma rota mais próxima da costa, os que iam de Norte para Sul estavam mais longe.

Binóculo existe para isso e passei bons minutos na rede observando os navios. Essa imagem dos navios marca esse dia. Antes eles só iam numa direção e muito esparsamente, hoje, depois de tanto tempo, eles começaram a passar todos na mesma hora e nos dois sentidos. Traffic jam de navios, algo a ver com maré bem alta de Lua cheia.

Já que eu vivo "conversando" com a natureza, algum sentido esse tráfego intenso de navios deve ter, principalmente em maré alta de Lua cheia. Comparando com minha vida que está numa maré bem baixinha de Lua nova isso pode significar alguma coisa.

Uma tarde, um pôr de Sol na Pedra, há tanto tempo... Tô com fome e vou almoçar, a outra parte do texto coloco aqui depois do almoço. Acho.

Se fosse comparar meu momento atual com alguma coisa marítima estaria mais para o pescador que sai todos os dias para o mar, lança sua rede da mesma maneira que sempre trouxe sustento à sua família, mas ela insistentemente tem vindo vazia. Uma vez após outra e após outra.

Mas o pescador não pode parar, navegar e pescar é preciso, até que exista pescador e exista mar com peixe, que exista Lua e exista Sol. Os peixes estão lá, só não os avisaram que é para cair na rede do pescador. Deve ser por isso, senão qual outro motivo teriam para saber que nessa rede não é para cair - um sofisticado repelente de peixes eletrônico?

Não, o pescador tem calma. Há muito peixe e muito mar. O pescador não quer mal aos peixes e nem quer que eles o queiram mal - até os preserva. O Milagre dos Peixes. O Milagre dos Sonhos. Um belo dum Milagre.

setembro 28, 2004

Ouvindo Sade - By Your Side

Essa música me lembra a história das pegadas na areia...

O Cristo, de Serra Negra
A . Começo com a resposta.
E eu vinha dirigindo e pensando agora de manhã - adoro pensar dirigindo: "só um milagre, e o pior é que só com mais um belo milagre, e dos grandes". Tem sido uma sequência deles e fico até com receio de precisar pedir por mais um, após o outro, após o outro. São tantos degraus e desafios que têm sido vencidos. Acho que ele gosta de mim, nem sei direito o porquê, mas já estou passando da conta.

E aí veio a pergunta: por que Ele haveria de atender justo a mim? É isso mesmo, por que justo a mim? São mais de 6 bilhões de Seres Humanos atualmente neste mundo, quase todos precisando de um tipo de milagre para sobreviver, e tantos, em tão perdidos quanto inimagináveis recantos deste planeta precisando de milagres tão maiores e mais importantes - e o pior de tudo, até mais justos do que o meu milagrinho. Por que ouvir precisamente a mim e me atender?

Se fosse possível ouvir todas as súplicas feitas ao Deus único - porque acredito que só haja UM -, seria uma balbúrdia insuportável, uma zoeira indistinguível, feita através de centenas de línguas e religiões e não religiões, pois Ele atende até quem nEle não acredita. Como atender a todos, discernir, analisar, compreender, decidir, agir, para cada um? Bom, pra isso Ele é Deus. Mas não precisa exagerar...

Tem gente que tá pedindo um cabelereiro novo senão será uma desgraça à noite, enquanto outros sofrem de doenças incuráveis e uma incurável vontade e necessidade de viver! Alguns presos injustamente, outros na frente de um maluco com um revolver apontado para a sua cabeça, precisando de um milagre já! Daqui um milésimo de segundo será tarde...

Por que justo eu? Por que justo meu milagrinho?

Por causa da . Esta é uma das razões mais importantes de se viver. Sinta-a, tenha-a, e dela faça bom uso para você e seus semelhantes. Essa é uma boa maneira de retribuir a atenção dedicada a esse vocezinho perdido no meio da multidão. Grãozinho de areia na praia humana. Apenas isso, e já dá um belo sentido à vida - sentido pleno. Cobrir o cheque especial é irrisório para Ele. Cada segundo, cada gota de que vibra em seu coração muda esse mundo.


Este post é uma republicação de um texto que foi feito originalmente em 12.09.2002, republicado em 17.02.2003 e em 05.04.2003. À época eu ainda dirigia, hoje nem isso. Tá ficando cada vez mais necessário e mais difícil recorrer a Ele e pedir por Milagrinhos...

setembro 26, 2004

Ouvindo Radio Koz - Smooth Jazz

Ei, companheiro!

A figura era de uma caveira de cor azulada e metálica, tipo azul clarinho metálico, enorme, com uns 3 metros de altura.

Olhava fixamente para mim e mexia o maxilar como se estivesse falando. Vociferando pragas e misérias. Uns vermes se moviam por entre o tecido da caveira, como se isso fosse possível - eles andavam por baixo da "pele" da caveira, em todas as direções e transmitiam uma estranha vibração ao "conjunto caveirístico". Era tudo putrefato.

Eu, feito um menino besta, estava petrificado e tremendo na frente da coisa-caveira. Numas horas ria da tamanha besteira que isso representava, mas ficava lá travado.

Tô aqui descrevendo essa coisa, mas o importante em tudo isso nem é a coisa. O mais importante eu nem vi - apenas senti.

Estava eu lá nessa situação e já tomando conhecimento de que estava perdendo meu tempo, quando de repente senti sua aproximação - mas não o vi. Foi tudo muito rápido e definitivo, muito superior.

Ele encostou sua mão levemente em meu ombro esquerdo e disse apenas isso: Ei, Companheiro!

Tudo aconteceu num único instante, um só movimento. Num milionésimo de milisegundo eu simplesmente me senti novamente em meu corpo e abri os olhos, ainda ouvindo sua voz e sentindo sua presença ao meu lado.

Só aí, já de volta o corpo e acordado, tive oportunidade de agradecer: Obrigado Companheiro!

setembro 25, 2004

Ouvindo 3rd Force e Beethoven

Parece que não combina, mas é ótimo para quem viaja no espaço.

O Salto da vida Humana, visto do ponto de chegada, de lá para cá.
Mergulhando, jumping, diving...

Mergulhando na vida de cabeça. É assim que nascemos - pelo menos é assim que a maioria nasce ou foi planejada para nascer - saindo da proteção que deveria ser absoluta do útero materno e que nos dias de hoje é tão fortemente influenciada e marcada pela pressão externa do mundo em que iremos nascer, mergulhando de cabeça na vida Humana que nos espera.

Mas para onde vai esse mergulho? Por que mergulhamos aqui? Não deve ser excluída a hipótese muito provável de muitos de nós termos sido empurrados da beira da piscina, empurrados por uma lança da ponta da prancha em alto mar, ou jogados de um avião bem de lá do alto, ou mesmo de uma nave espacial.

Mas se um pulo, um salto, descreve o ato de nascer, seria este um salto no ar, ou um salto no mar, ou um salto no vácuo?

Um salto é um salto.

Saltamos para estas nossas dimensões, todos nós, sem exceção, para seus limites, domínios, luzes, odores, cores, sentimentos, amores, prazeres e dores.

Saltamos sem saber o que vai acontecer - será que temos pára-quedas, equipamento de mergulho ou nave espacial -, ou se diretrizes principais traçamos anteriormente, logo percebemos que muito ou quase tudo pode influir em nossos caminhos.

Controle do salto. Dominar o salto. Calma. Tá caindo, tudo bem, mas com calma podemos sentir melhor em que ambiente saltamos e estamos caindo, se rápido ou devagar, entender o meio em que saltamos: ar, mar ou vida Humana? Aprender a se mover e controlar a queda, com isso podemos até curtir nosso salto! Aprender a continuarmos vivos e pousando no objetivo programado para o salto.

Meu salto nessa vida é um sky-diving. Sou um pássaro por natureza.

E de todos os objetivos dessa vida o que mais me parece difícil é me adaptar ao meio. Essa habilidade de controlar o salto é que me foge das mãos e o que humildemente peço para desenvolver. Passo a passo, pouco a pouco, saber desenvolver a habilidade de concluir meu salto nesta vida e alcançar o objetivo programado.

Sinto imensa dificuldade em ter algumas habilidades consideradas essenciais aos que aqui estão nesse momento do tempo nesse planeta Terrra. Tem certas coisas com as quais não me sinto à vontade e sou totalmente inapto. O pior é que algumas dessas coisas são fundamentais para que se obtenha "sucesso", "êxito" e "prestígio" entre esses hominídeos babacas - desculpem irmãos, mas tem uma porrada desses espalhada por aí.

Uma dessas dificuldades é a habilidade de fazer dinheiro. Putz, eu não tenho essa habilidade, morro de medo da grana e tenho a maior dificuldade em controlar a dita cuja. Não sei mexer com ela. Não nasci banqueiro. Desde cedo eu a vejo com os outros, comigo nunca e o pouco que tive flui, se desfaz, se esvai por entre meus dedos, para desespero meu e dos que dependem de mim - me daria por muito satisfeito se para a sobrevivência tivesse.

Daí passam a surgir alternativas. Será, ó Pai, que por um acaso desses, sabe-se lá possa haver alguma alma companheira do gênero feminino que também tenha saltado para cá e que tenha desenvolvido essa tão útil habilidade e queira comigo compartilhar esse salto?

É uma boa solução, diz aí Pai, fala a Verdade...

Bom, concordo que essa solução é prática até demais e não propicia por mim o desenvolvimento da habilidade, mas pelo menos eu posso ver bem de perto como se faz e aprender!

O problema é que o final de todos os saltos já é conhecido, quaisquer sejam eles nessa vida Humana: a morte.

Mas tal qual o nascimento ela também é outro salto para o desconhecido. E ninguém leva o dinheiro, o "sucesso", o "êxito" e o "prestígio" por ele conquistados.

Então porque fazer disso um objetivo tão fundamental nessa vida?

Pra que se despender tanto esforço e vidas e vidas e vidas para desenvolver uma habilidade que não serve pra nada depois dessa vida e do novo salto?

Pai, a Palavra é sua - todas são, sempre foram e sempre serão, mas responde essa pra mim, vai.

Tá bom, tem uma pista: os sentimentos, amores, prazeres e dores, todos se levam para o novo salto, sem exceção. São frutos de nosso esforço e habilidade em desenvolvê-los. Mas podia fazer isso sem grana no meio, não podia?


Funciona assim: pergunta que a resposta aparece:

"(...)O homem no mundo

10. Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob
as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos. Purificai, pois, os vossos corações; não consintais que neles demore qualquer pensamento mundano ou fútil. Elevai o vosso espírito àqueles por quem chamais, a fim de que, encontrando em vós as necessárias disposições, possam lançar em profusão a semente que é preciso germine em vossas almas e dê frutos de caridade e justiça.

Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação
mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar.

Sois chamados a estar em contacto com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. Sede joviais, sede ditosos, mas seja a vossa jovialidade a que provém de uma consciência limpa, seja a vossa ventura a do herdeiro do Céu que conta os dias que faltam para entrar na posse da sua herança.

Não consiste a virtude em assumirdes severo e lúgubre aspecto, em repelirdes os
prazeres que as vossas condições humanas vos permitem. Basta reporteis todos os atos da vossa vida ao Criador que vo-la deu; basta que, quando começardes ou acabardes uma obra, eleveis o pensamento a esse Criador e lhe peçais, num arroubo dalma, ou a sua proteção para que obtenhais êxito, ou a sua bênção para ela, se a concluístes. Em tudo o que fizerdes, remontai à Fonte de todas as coisas, para que nenhuma de vossas ações deixe de ser purificada e santificada pela lembrança de Deus.

A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; mas, os
deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior. Nenhuma caridade teria a praticar o homem que vivesse insulado. Unicamente no contacto com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta. (Capítulo V, nº 26.)

Não imagineis, portanto, que, para viverdes em comunicação constante conosco, para
viverdes sob as vistas do Senhor, seja preciso vos cilicieis e cubrais de cinzas. Não, não, ainda uma vez vos dizemos. Ditosos sede, segundo as necessidades da Humanidade; mas, que jamais na vossa felicidade entre um pensamento ou um ato que o possa ofender, ou fazer se vele o semblante dos que vos amam e dirigem. Deus é amor, e aqueles que amam santamente ele os abençoa. Um Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)(...)

setembro 23, 2004

Ouvindo 3rd Force

som pra me encontrar, ando totalmente perdido...

Olha só que legal essa confa que tá isso aqui! Completely lost!

Diferentemente da criação do Universo e do Ser Humano, no início tudo funcionava perfeitamente. Aí complicaram tudo...

1 - O Terra resolveu dar um pife no seu ftp das Páginas Pessoais.

2 - Voltei a publicar o Ser Humano só com o endereço do blogspot (de onde nunca deveria ter saído).

3 - O Blogspot e o Blogger evoluíram, mudaram, foram absorvidos pelo Google, cresceram e se expandiram, mas como eu não estava atento a isso perdi essas mudanças. Elas foram para melhor, mas eu não sabia como funcionavam.

4 - De repente, após diversos ameaços o Terra voltou com o ftp e o imprudente Schiquinho foi lá no settings do blogspot e mudou tudo para publicar por ftp. Não devia!!! Mas fez. DEU CACA.

5 - Parece que pelo novo método de funcionamento do blogspot quando vc publica seu blog por ftp perde o seu endereço anterior. Mas como o Blogspot é primeiro mundo eles avisam, e dizem que se vc quer manter seu endereço anterior é só criar um novo blog com o nome antigo e preservar seu endereço. Foi o que fiz. Por isso o schico.blogspot.com ainda existe mas começando do zero.

6- Por sorte antes de fazer a caca eu baixei todos os posts antigos e novos usando ftp para meu HD e republiquei o blog inteiro. Tá tudo salvo e funcionando no planeta.terra.com.br/arte/serhumano. Mas fica a pergunta: "até quando?" Vem a resposta óbvia: "Até o Terra resolver dar pau no ftp de novo, só que aí não tem mais volta...."

7 - Como o blogspot é de primeiro mundo pedi socorro, explicando a situação e pedindo para ver se é possível publicar o mesmo blog com dois endereços como era antes. Já responderam e estão estudando o caso.

8 - Sempre publiquei o Ser Humano com dois endereços esses aí do post de baixo. Por enquanto estou tendo serviço quase que dobrado. Abro duas janelas, faço o post e Ctrl+C e Ctrl+V colo no outro blog que devia ser o mesmo.

9 - Os comentários tão necessários. No F&D está programado para funcionar no endereço do Terra, mas só funciona no do Blogspot?!?. Não vou mexer nisso agora, deixa assim mesmo. Depois, com mais calma e melhor entendimento da situação eu tento consertar, ou colocar nos dois.

setembro 22, 2004

Ouvindo muita coisa

mas nada toca meu coração...

ATENÇÃO TODOS!!! DEU ZEBRA!!!

O FTP DO TERRA VOLTOU A FUNCIONAR E EU VOLTEI A PUBLICAR PELO

http://planeta.terra.com.br/arte/serhumano

só que agora o que publico lá¡ não sai aqui no http://schico.blogspot.com


PEDI AJUDA AO BLOGSPOT E ESTOU NA ESPERA, CASO NÃO SEJA POSSÍVEL SINCRONIZAR OS DOIS VOU FICAR COM O ENDEREÇO DO BLOGSPOT. SE FOR POSSÍVEL, JÁ NÃO SEI MAIS NADA.

OBRIGADO! OBRIGADO?